Ninguém diz que para sempre é por um triz.
- ONE CAT -
[Terça-feira, Junho 28, 2005]
Ó QUE É O QUE É
Quem inventou um bichinho
insignificante como uma ameba
e massacrante como um mamute
chamado saudade?
- THE CAT -
[Segunda-feira, Junho 27, 2005]
That's all folks!
[Sábado, Junho 25, 2005]
GAAAAAAAAAALERRRRRRRRRAAAAAAAAA DE SSSSSSSSSSAAMPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE URGENTE
HOJE haverá o lançamento do livrinho de bolso "Sexo, drogas e tra-la-lá", de Fabio Fabricio Fabretti, Ana Paula Maia, e Thiago Picci.
Sim, nosso Cheshire lança seu primeiro livro de mini-contos, um deles, inspirado em minhas aventuras lisérgicas, outros, absolutamente criados pelo menino maluquinho. Thiago aborda sexo, Fabio detona as drogas e Ana Paula, tra lá lás!!! Para os cariocas, a espera de que haja um lançamento aqui no Rio também.
Thiago Picci também aproveita para fazer o lançamento do livro "Papagaio e outras músicas", que está bárbaro também.
Para o trio, desejo muita merda. E aguardo o retorno ansiosa, para saber como foi a festa.
Abaixo, as direções:

[Sábado, Junho 25, 2005]
Acordei com uma certa lembrança me agarrando o pensamento, na verdade, fui movida por um sonho. Ele foi o único homem presente em minha vida. Dez anos e ele estava lá, me conhecia pouco, mas pelo tempo, passou a conhecer bem. Acompanhava às vezes de longe, as vezes, apaixonadamente, outras, semi-indiferente, querendo se mostrar auto-suficiente, sempre. Bem ou mal, presente. Muitas vezes, a paixão nos arrebatava, mas nunca no devido sincronismo para fecharmos a relação. estavámos ligados sim, pela cama. Inúmeras traições aconteceram, apenas uma devidamente descoberta.
Quando a primeira menina entrou em minha vida, eu disse não. Com a cabeça batendo na parede de tão confusa. Recusei o que seria despedida, reencontro, ou whatever... Isso porque o valor do que o que aquela menina sentia, mesmo estranhamente denso e profundo para mim, não me movia para reencontros, despedidas. Eu havia encontrado algo, que mesmo muito estranho, me supria. Me preenchia. Mesmo que eu fizesse tudo para detonar aquela relação. Ela não merecia, nem de longe, que nem com ele, nem com o DEUS ofereceu um cartão telefônico, (para que eu terminasse com ela, again and again), o coitado não sabia, mas em toda minha vida, um homem tão bonito, sedutor e educado estava me abordando na rua. E eu as turras com a coitada. Guardei o telefone do DEUS para ligar depois, mas não tive coragem, nem cabeça, melhor dizendo: VONTADE.
A vontade me movia involuntariamente para ela.
Amor???
Não sei, até porque os analistas, os amigos, a sociedade e as próximas relações que tive atualizaram o termo:
Obsessão, carência, dependência, medo de ficar só, prisão assustadora, doença.
A palavra amor implica ser feliz, gozar, até onde der.
Quando não der, a gente parte para outra, assim, como um absorvente... descartável mesmo.
O amor acabou. Amor acaba.
Eu não fui ao encontro, não exerci meu mau-caratismo naquele momento, enquanto que tantas outras vezes, quando estava num relaciomento sólido, straigh, não titubeei em dar uma escapadinha, provar novidade, sair da rotina, variar o cardápio.
Sim, eu estava absurdamente confusa, o suficiente para ter em mãos duas oportunidades, mas não tive coragem de sair com nenhum homem (nem os mais lindos, muito menos os mais intimos).
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Minha Twister morreu na quinta feira a noite.
Ela estava com pneumonia.
Domingo a tarde, liguei assustada para a Veterinária (Criadora), que "me forneceu" a possibilidade de criá-la.
Liz tinha problemas, espirrava muito e as vezes, tinha umas pequenas convulsões. Umas pequenas descargas de energias.
Quando fui lá, falei isso para ela. Ela desconversou, e disse que os espirros eram emotivos.
Domingo, quando liguei, ela estava consertando uma lâmpada, pediu para a irmã, porta-voz, me dissesse o que fazer.
Eu fiz, mas antes disse, escutei a irmã dizendo que a tal criadora, tinha váaaarios twisters, que ela criava há muitos anos, que eles duravam de 1 a 2 anos, mas que na mão da criadora, eles viviam até seis. Que vários deles, ela não se desfazia.
Desliguei o telefone me sentindo uma total incopetente. Assim me senti depois que ela morreu. Mas, não teve um dia que faltou comida, vitamina, nem falta de cuidado e atenção. Gaiola limpa sempre, pois ela ficava dentro de um dos quartos.
Nada de maravalha com cheiro. E se é um bicho calminho, gostava de ficar do meu lado, também porque ela era assim.
Social.
Mas descobri que como Criadora, ela entende muito bem de teorias Darwinistas.
O que ela não é, é uma boa fornecedora.
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[Sábado, Junho 25, 2005]
EU TÔ TENTANDO
Kid Abelha
Eu tou tentando largar o cigarro
Eu tou tentando remar meu barco
Eu tou tentando armar um barraco
Eu tou tentando não cair no buraco
Eu tou tentando tirar o atraso
Eu tou tentando te dar um abraço
Eu tou penando pra driblar o fracasso
Eu tou brigando pra enfrentar o cagaço
Eu tou tentando ser brasileiro
Eu tou tentando saber o q é isso
Eu tou tentando ficar com deus
Eu tou tentando q ele fique comigo
Eu tou fincando meus pés no chão
Eu tou tentando ganhar um milhão
Tou tentando ter mais culhão
Eu tou treinando pra ser campeão
Eu tou tentando ser feliz
Eu tou tentando te fazer feliz
Eu tou tentando entrar em forma
Eu tou tentando enganar a morte
Eu tou tentando ser atuante
Eu tou tentando ser boa amante
Eu tou tentando criar meu filho
Eu tou tentando fazer meu filme
Eu tou chutando pra marcar um gol
Eu tou vivendo de roquenrol
- UM GATO NA TENTATIVA -
[Terça-feira, Junho 21, 2005]
Vale or Farewell - Arthur Hacker
Puxa, tive um sonho tão real, tão real, que deu até medo, e mais uma vez, era continuação do sonho do navio, assim como o sonho do Café do Ponto que teve vários!
[Sexta-feira, Junho 17, 2005]
Tais versos me emocionam, me tocam profundamente!
Monólogo de Orfeu - Vinicius de Moraes
Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, ¿ que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem ¿ nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!
[Quinta-feira, Junho 16, 2005]
BREVES BREVIDADES
Um amor perdido? Quem precisa dele, quando há vários amores a serem encontrados?
Pessoa especial é aquela que existe de mansinho na vida da gente. O resto é alarme falso.
As coisas continuam como sempre foram. Só que diferentes.
- CAT -
[Quarta-feira, Junho 15, 2005]
PÓS-DIA DOS NAMORADOS (EM DIA DE SANTO ANTÔNIO, RSSS)
Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar,
Aos que pensam em voltar..
É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem 3 tipos de saudades, 4 de ódio, 6 espécies de inveja. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de
sangue, a sedução tem que ser ininterrupta.
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja,antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Alguma paciência...Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas
pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra.
Não adianta, apenas, amar. Tem que haver confiança.
Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que mar,'solamente', não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
Uma amena solidão aos que se recuperam!
- UM GATO VAGANDO PELOS TELHADOS -
[Segunda-feira, Junho 13, 2005]
Já que o assunto tem sido esse, presente para os que amam maior e melhor:
Maior e melhor que amor - Martha Medeiros
ÀS VEZES ME PERGUNTO POR QUE O amor, que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão, amam com insegurança, amam com violência, amam com preguiça, amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é coisa fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora do nosso controle. O amor é lindo, mas também pode ser tenso, fóbico, difícil. Billie Holliday cantava: "Não me ameace com amor, baby/vamos só caminhando na chuva".
Chego à conclusão, então, de que se o amor é nobre e, ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que amor. Muito maior que ele. Um sentimento que vários de nós talvez já tenhamos experimentado, só que, como esse sentimento nunca foi batizado, não o reconhecemos com facilidade. É difícil classificar as coisas sem nome.
Maior que o amor, melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padrões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale sem radares em volta, que não nos deixe apreensivos para entendê-lo e nem para traduzir os seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere conceitos como matrimônio, família, adequação social. Que seja individualizado, amplo e sem contra-indicações.
O amor "como o conhecemos "é apenas um aprendizado, um estágio antes de a gente alcançar isso que é maior e melhor: um sentimento que independe da presença constante do outro, que confere leveza à vida, que nos deixa absolutamente plenos e livres. Plenos o amor nos torna; mas livres? Não. O amor termina e isso nos atormenta. Quando é maior e melhor que amor, não termina, mesmo quando a relação se desfaz.
É um sentimento que, quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior, mais discreto. A gente não o pensa, não o discute, não o compara, não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor: "tem que cultivar, tem que reinventar, tem que...". Tem que nada. Tem que apenas curtir. É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim, sem estampar capas de revista, sem que ninguém o use como argumento para cometer insanidades, sem virar mote para propaganda, sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.
Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcendente como um convite para caminhar na chuva
[Segunda-feira, Junho 13, 2005]
-
O poço sem fim era tão fundo que seu fundo se chamava fim.
Quando chegou ao fim do poço, recomeçou a escavar. Para cima.
- CHASHIRE CAT
[Domingo, Junho 12, 2005]
Lindo, lindo... último dia em que sai da sala do meu analista, minha perna tremeu, bambeou, como se eu tivesse acabado de passar por um trauma, onde vc sente que vai desmaiar, ou que não vai aguentar o peso dos fatos... como se faltasse sangue suficiente para isso.
Sai e peguei um ônibus, mais uma vez, chorando.
Havia um banco vazio, no escuro, e outro logo atrás, iluminado
Sentei no banco mais iluminado, e em baixo, perto dos meus pés, vi quatro flores jogadas, eram quatro grandes girassóis. Um pouco amassados, mas não o suficiente para estarem ali. Lindos.
Comecei a fazer analogias, analogia com o que eu tinha acabado de ouvir. Não tive coragem de pegá-los. A magia era deixá-los ali, para que outra pessoa pudesse sentir um pouco daquela sensação que eu havia sentido.
[Sexta-feira, Junho 10, 2005]
Acordei sentindo saudades...
A gente não manda mesmo nos sentimentos.
[Sexta-feira, Junho 10, 2005]
Ele disse que um dia voltava.
Quando é um dia?
- CAT -
[Quinta-feira, Junho 09, 2005]
TRANSMUTAÇÃO
Cansada de varrer seus outonos, pensou numa só braçada em todos os meios. Remédios. Facas. Banheiras. Janelas. Precisava costurar os cacos. Com muita corgem forçada, abriu o armário, respirando pedras. Arrumou-se como nunca. Mil farpas atravessadas. Uma última espiada no espelho. O peito numa lua de crateras. Apagou as luzes e foi, perfumada pela rua. Na busca do mundo.
Fábio Fabrício Fabretti
[Terça-feira, Junho 07, 2005]
Ontem recebi um telefonema estranho... fiquei apavorada. Na verdade foi um trote.
No final das contas descobri mais do que queria saber... ou imaginar.
Falei com Sra. Sarah, que me falou sobre a visita da Mme Gille, com tanta esperança, que eu pensei... não foi à toa que eu tive o sonho no dia 15 de maio. Mientras alguns sont de pedra, mon coeur est a broken glass.
Mas, o meu maior desespero foi realmente imaginá-la (??) como a descrição do maluco.
[Segunda-feira, Junho 06, 2005]
Concordo com Cheshire. E acrescento:
Reconhecemos a pessoa errada como certa no primeiro minuto, no primeiro instante em que a julgamos errada, permitimos que ela seja plenamente certa em todo o tempo.
Um pequeno deslize da pessoa errada, com o tempo, a transforma em pessoa certa no final de tudo: e cabe ai a frase "Graças a Deus deu tudo certo!". Valorizamos (reconhecidamente) a pessoa errada, pois ela é sempre a pessoa certa, mesmo sendo a pessoa errada.
No amor, nada é unilateral, ao mesmo tempo que julgamos certa a pessoa errada, ou errada a pessoa certa, a pessoa errada pode nos julgar certa, ou com o tempo, descobrir que escolheu a pessoa errada.
E não são as pessoas que são certas ou erradas, mas o balanceamente entre ações certas ou erradas dentro do nosso próprio julgamento, que é absolutamente flutuante num relacionamento amoroso.
Ou pelo menos, a química da paixão permite que assim por algum tempo qualquer.
[Quarta-feira, Junho 01, 2005]