É tarde, é tarde...

É tarde, é tarde... A areia que soprarei nos seus olhos trarão nostalgia. Dentro do túnel para os anos 80: música, contos, ácidos-comentários, arte, poesia, moda, e o cotidiano, e em Kunderez dramático: a nossa insustentável leveza do ser. Mas, não ficarei só nisso, no fim do túnel, no fim dos anos noventa, abri a porta do armário, a vida se torna mais colorida. Agora, estou aqui, presa nesta rede, teia prateada tecida por uma mulher-aranha.

Caindo no túnel do tempo...

Domingo, Fevereiro 17, 2008

JUSTIFY AND THE ANCIENTS OF MU MU



Meu amigo me deu uma carona, há um tempo atrás, estavamos voltando de uma festa muito bacana aqui no RIo, na verdade, neste dia, descobri que o organizador dela era um ex caso meu, tudo pq atualmente ele utiliza um nome artístico mto estranho... tão estranho quanto havia sido tórrido o caso...

Então, meu amigo colocou no caminho um CD com uma copilação muito boa, bem atual, e já perto de casa, começou a tocar uma música que eu achei tuuuudooooooooo! Então, falei como gostava do bom gosto musical dele... e que queria saber qual era aquela banda.

Ele disse que eu era quem tinha bom gosto, aquele som, que parecia ser absolutamente atual, era de uma banda dos anos 80, que poucas pessoas conheciam ou gostavam, The Timelords, ou The JAMS, uma abreviação para The Justified and the Ancients of Mumu.

Na mesma hora, respondi que conhecia uma música com esse nome...
Sim, ele respondeu, mais abreviado ainda, uma banda de nome pequeno, 3 letras apenas, que é percursora de absolutamente tudo o que ouvimos hoje: o KLF!

Eu não acreditei, puro Acid House, as primeiras raves, estávamos nos últimos suspiros dos anos 80 a melhor coisa que eu já tinha escutado, meu brit pop favorito, mas que eu não conhecia nada além de dois ou três djs se aventuravam a tocar essa som em pistas daqui do RJ. E eu tenho o The White House!!!! Me lembro que na época quase surtei ao conseguir este vinil.

O Electro se nutruiu desta fonte... e base de tudo o que ouvimos vem dai!!!!

Amo meu querido, e por ele, taí!!!! Um set list explosivo, industrial, pesado, tenso e para quem é doente do pé, absurdamente dançante!!!!

Frontline Assembly - Prophecy



megalomanical - and harder than the rest




THIS IS KMFDM - KMFDM!!!!

Jesus built my hotrod - Ministry



NWO - Ministry



HEAD LIKE A HOLE - NIN




AMOOOOOOOOOOOOOOOO!

Domingo, Fevereiro 10, 2008

meu deus, que bode... nada, nada, nada está me animando!!!!

:(

Domingo, Fevereiro 03, 2008

anhhhhh-aaanh, we fade to gray!

Anos atrás eu estava na casa de um amigo, então peguei um CD que era um tributo ao David Bowie, algumas versões eu já conhecia, Ziggy Stardust por Bauhaus, mas o que mais me chamou atenção foi The man who sold the world, por um cara chamado Midge Ure. Eu achava aquela versão linda, uma voz única, um tom doce, andrógino...
Nunca tinha ouvido nada dele, ou pelo menos assim imaginava.

Final de 2006, descobri Nouvelle Vague, e uma das música que mais se repetiu no meu Ipod naquele feriado de setembro em Gramado era Fade to Gray, pela versão de Nouvelle Vague . Eu achava aquela musica famíliar, aquilo me trazia uma saudade adolescente, e não é a toa que os sentimentos se buscaram adolescentes naquela viagem... Fiz uma pesquisa e descobri Visage, um clip tão oitentista que até assustava. Todos os elementos estavam ali. Homens maquiados, muita androginia, uma mulher cantando em francês.

Hoje busquei Midge Ure num novo programa de compartilhamento, fazendo teste, achei o nome Ultravox, achei a versão do Bowie, agora a noite, busquei no meu favoritos do You Tube Fade to gray, e por minha surpresa, apareceu Midge Ure cantando!!! Como assim, ele vive de covers? Pensei.

Comecei a pesquisar pelo nome, descobri que tinha cantado numa banda chamada Ultravox, tá isso eu já sabia pelo LimeWire. Mas, porque cantava a música do Visage??? (Meio estranho, as feições não eram mais as mesmas, mas o timbre de voz, era próprio!!!)
Há um site do Ultravox, e há lá a bibliografia da Banda, bem escrita até, salva em PDF. Ele fez parte da segunda formação dela. Substituindo o compositor, vocal. Ansiosa pela informação, dei uma busca pela palavra Visage. Tava lá: Nome que a banda recebeu após Midge Ure entrar para Ultravox!
Bárbaro...
Já era fã do cara e não sabia!!!!


Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

E só de lembrar destas coisas, meu peito se oprime...
Estava lendo sobre Transtorno do Humor Bipolar, e peguei um texto sobre depressão infantil. Dai comecei a me ver chegando numa cidade, pequena, suja, empoeirada, perdida a muitos e muitos kms e horas da minha cidade natal.
Eu tinha deixado a minha tia querida, tá, ela não morava mais comigo, mas era uma base que eu tinha quando faltava o carinho de mãe, tão raro...
Na verdade, eu tinha duas mães, e agora ia ter que me acostumar com a distância de uma e a separação normal diária da outra.
Cheguei numa casa azul. Havia uma grande escadaria. De lá, uma varanda e vista para a rua empoeirada, que parecia ser uma das maiores de um lugar fim do mundo chamado Teófilo Otoni, nordeste de Minas Gerais.

O Cristo havia ficado para trás... ele junto com todas as minhas lágrimas.
chorei, dormi, me cansei de ver uma paisagem inóspita, chorei, dormi e me cansei novamente de ver a paisagem inóspita.
Depois o que me restou foi ver a casa azul.

Então, dormir e acordar num quarto estranho, que não era meu... olhar para a vista da varanda, sem graça, e ficar ali, perdida no tempo inerte e PB daquele povoado.

Me lembro da escola, a Professora passando cálculos orais. Ora, eu ainda aprendia a somar 1+1=2 e 2+2= 4.
Os cálculos orais eram problemas que perguntavam se o Joãozinho comprou 18 balas por Crz$2,00, quantos cruzeiros ele tinha antes de comprar as balas???

Eu não queria saber de Joãzinho, das balas, da professora, dos cálculos, deitava a cabeça e chorava, porque enquanto aqueles meninos gritavam que tinham acertado tudo, eu me perdia na historinha do Joãozinho que eu nem estava ai. E chorava...

Depois aprendi a dizer, estou com dor de cabeça, pois sempre tive enxaquecas.
E a professora sempre saia da sala de aula para resolver algum problema de criança problema mimada em outra série, ela era diretora. E quando voltava eu estava dormindo.

Teve uma vez que ela me sacudiu, e eu dei um sacode nela também... meio desafiadora...
-Droga, quem essa vaca pensa que é para fazer isso comigo.
Então deitava novamente a cabeça na carteira, e fechava os olhos, e Foda-se!

claro que eu não tinha esse mega nasty vocabulário.

Mas eu não estava nem ai para aquelas pessoas, para aquela escola, para a merda daquela cidade. Poucas horas eu me distraia com uns poucos, mas depois, voltava a entrar na minha concha.

Me lembro que meu Pai ainda não tinha conseguido transferencia, e estava trabalhando no Rio, e minha mãe rezava para a transferencia sair logo, e eu um dia chorando perguntei se haveria possibilidade da gente voltar, pois eu não estava gostando nada dali.

Minha esperança era enorme... achava que ela podia dizer sim. Mas ela disse não. E falou que ficariamos ali até eu crescer...

Aquilo meio que me matou. Acho que nunca fiquei tão triste em rever meu pai quando ele chegou de vez! Eu queria que ele não tivesse chegado nunca...
Só assim, voltariamos ao Rio para ficarmos com ele.

Então, fui parar num hospital. Com poucos dias de trabalho naquela bosta de Agencia, minha mãe teve que me largar lá, e mais ainda a minha dor aumentava.
Me sentia abandonada de tudo.

Não teve jeito, e eu tive que me acostumar com tudo, inclusive com a tristeza, com a solidão, com o fastio, com o tédio, com os imensos seis meses que me embarreiravam as ferias de Julho e Dezembro/Janeiro. Que eu sabia que só assim sobreviveria voltando ao meu habitat original.

ERa desesperador, e eu não sabia viver diferente. Seis meses para 1/2.

Não é a toa que eu nunca mais voltei... não é a toa que Teofilo Otoni é pano de fundo dos meus maiores pesadelos noturnos. Não é a toa que me acordo chorando deles.
E sempre, sempre, nestes malditos sonhos, estamos retornando para lá, com toda a esperança de dias melhores que me prometeram, e que eu nunca, realmente vi acontecer.